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Setembro Amarelo

Especialista esclarece dúvidas sobre prevenção do suicídio

Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Amarelo ganha destaque como um movimento essencial de valorização da vida e cuidado com a saúde mental. Criada em 2015 no Brasil, a iniciativa visa romper tabus, estimular o diálogo e promover a busca por ajuda, especialmente diante de estatísticas preocupantes.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas tiram a própria vida anualmente em todo o mundo. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a terceira principal causa de morte. O Brasil, por sua vez, registrou 16.262 mortes em 2022, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O país também lidera em prevalência de ansiedade e ocupa a segunda posição nas Américas em casos de depressão.

Para entender melhor os sinais de risco e como agir diante dessas situações, conversamos com o psicólogo Felipe de Novaes Coelho, especialista em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo-Comportamental. Com mais de 2 mil atendimentos clínicos e coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Adventista de Minas Gerais (Fadminas), ele compartilhou orientações valiosas.

Falar sobre suicídio aumenta o risco?

Segundo o especialista, esse é um mito que precisa ser desconstruído. A proposta do Setembro Amarelo é exatamente abrir espaço para conversas responsáveis, sem glamourizar o ato, mas focando na valorização da vida e no cuidado com o outro.

— “Quem pensa em suicídio não está querendo chamar atenção ou afastar-se de Deus. Muitas vezes, é uma tentativa de aliviar uma dor insuportável”, explica Felipe.

Fatores do cotidiano também influenciam

Além de transtornos como depressão e uso de substâncias, situações do dia a dia — como má alimentação, rotina estressante e sono desregulado — podem agravar o sofrimento emocional.

— “Noites mal dormidas aumentam significativamente o risco de crises de ansiedade. A ausência de lazer, o isolamento e o excesso de estresse no trabalho também contribuem para quadros depressivos”, afirma.

Pensar na morte é sempre um sinal de alerta?

Nem sempre. Refletir sobre a morte pode até ser um convite a uma vida com mais propósito. Porém, quando esses pensamentos surgem com frequência, diante de frustrações simples, ou tornam-se constantes ao longo do dia, é hora de ligar o sinal de alerta.

— “Quando a vontade de morrer surge como resposta automática a qualquer dificuldade, ou quando a pessoa começa a planejar ou imaginar formas de morrer, esses são sinais importantes que não podem ser ignorados”, alerta o psicólogo.

Como saber se a terapia está funcionando?

Felipe reforça que o sucesso da terapia também depende do envolvimento do paciente. Questionar se está se dedicando ao processo e se escolheu um profissional preparado são passos fundamentais.

A chamada ativação comportamental — retomada de atividades prazerosas e significativas — é um dos métodos mais eficazes no tratamento da depressão. Além disso, a fé, quando presente, pode ser uma aliada importante na reconstrução da esperança.

O papel da família e dos amigos

Amigos e familiares são peças-chave na prevenção. Levar a sério qualquer fala sobre suicídio, ouvir com empatia e não minimizar a dor são atitudes que podem salvar vidas.

— “Às vezes, tudo o que a pessoa precisa é de alguém que escute de verdade. Um ouvido amigo pode ser mais transformador do que se imagina”, diz Felipe.

Em casos mais graves, o apoio à família também é essencial. O cuidado com alguém em sofrimento pode ser desgastante e, por isso, os cuidadores também devem buscar apoio emocional, dividir responsabilidades e manter o autocuidado.

E quando a perda acontece?

Perder alguém por suicídio costuma trazer culpa e muitas dúvidas. Mesmo quando a família fez o possível, o sentimento de impotência pode ser devastador. Nestes casos, o acompanhamento psicológico é fundamental para enfrentar o luto, ressignificar a dor e lidar com as emoções.

Mitos e verdades sobre o suicídio

“Suicídio é sempre impulsivo”Mito. Muitos casos são planejados ao longo do tempo.
“Sempre há sinais”Nem sempre. Alguns casos apresentam avisos claros, outros não.
“Só acontece em pessoas com transtornos mentais graves”Mito. Pode ocorrer em qualquer pessoa, inclusive diante de crises pontuais ou fatores externos como bullying ou perdas traumáticas.


Procure ajuda

Se você ou alguém próximo estiver passando por momentos difíceis, não hesite em buscar apoio. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito, sigiloso e 24h, por telefone, e-mail ou chat.

Acesse: cvv.org.br

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